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[AM] Amazônia – Juma Lodge

Esta viagem fez parte de minhas férias de abril/2003 e decidi conhecer o Juma Lodge. O pacote escolhido foi o Mutum, que contempla quatro dias e três noites num hotel de selva totalmente isolado da civilização, mas com todo o conforto e segurança necessários para se aproveitar ao máximo o contato com a natureza em seu estado mais puro.

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Confira a galeria de fotos dessa viagem

O Juma Lodge fica a 100 km ao sul de Manaus à margem do rio de mesmo nome e o trajeto pode ser feito em cerca de duas horas e meia, de barco ou num misto de barco e carro, dependendo da estação do ano. Na época da cheia é possível vencer todo o trajeto de barco, pois as águas chegam a subir mais de 10 metros interligando vários rios, tornando o trajeto mais rápido. Uma das grandes vantagens da localização do Juma é que devido à acidez das águas do rio não há a proliferação de mosquitos, podendo-se ficar em áreas abertas sem o incômodo de insetos.

O hotel fica totalmente elevado sobre passarelas de madeiras e conta com um deck com visão privilegiada do rio Juma. Os quartos são cobertos com palhas que além da integração com o ambiente propiciam temperaturas mais amenas. A única forma de chegar de se chegar lá é de barco ou hidroavião. Como o hotel não trabalha com grandes grupos, o tratamento é muito pessoal proporcionando muita interação com os funcionários e até os proprietários que também trabalham com os turistas. O translado até o hotel já é uma atração, pois durante o caminho passa-se por comunidades ribeirinhas e os mais diversos tipos de embarcações. A sensação de estar no meio da Amazônia é muito forte. Suas dimensões são fora do comum, o rio Negro, por exemplo, chega a ter 12 km de largura em certos trechos, onde praticamente é impossível se avistar a outra margem.

1º dia – Encontro das águas

Cheguei em Manaus já era 4h da madrugada e para facilitar meu deslocamento pela capital preferi me hospedar num hotel na região central. Após poucas horas de sono tomei um típico café da manhã com sucos de frutas da região, tapioca e banana assada. As 8:30h fui apanhado pelo Pepe, o guia que iria conduzir nosso grupo pelos próximos quatro dias. Após chegar na van fiquei surpreso, pois era o único brasileiro num grupo de seis mexicanos que vieram para conhecer os encantos de nossa selva equatorial.

Ainda com a van fomos até o porto do Ceasa no rio Negro onde tomamos a primeira lancha. Nesse trajeto fizemos a primeira atração do dia que foi o encontro das águas. Trata-se do incrível encontro das águas escuras do rio Negro com as águas barrentas do Solimões resultando no maior rio do mundo, em volume d’água, o Amazonas. O fato interessante desse encontro é que os rios caminham juntos vários quilômetros sem que suas águas se misturem. Isso se dá devido a diferentes temperaturas e velocidades das águas.

Continuamos nosso trajeto até a vila do Careiro onde pegamos outra van até o rio Araçá. Aí pegamos outra lancha passando pelos rios Mamori até finalmente chegar no rio Juma. Ao chegar no hotel uma surpresa, antes da equipe do hotel nos dar as boas vindas fomos recebidos pelo Joel, Lilica, Velhão e Velhinha, um grupo de macacos que vivem nos arredores e não se intimidam de subir no colo das pessoas a procura de carinho ou quem sabe de uma banana.

Após um delicioso almoço e um cochilo na rede saímos de lancha para visitar uma comunidade local e ver seus costumes e conhecer seus artesanatos. Fiz muitas fotos das crianças que adoravam ver suas imagens no visor da câmera. Uma das vantagens dessa época na Amazônia é que devido ao volume dos rios e a calmaria de suas águas formam-se verdadeiros espelhos que refletem com perfeição os contornos das matas. Não pude deixar de me encantar com situações onde os reflexos em perfeita simetria com o real formavam imagens belíssimas.

2º dia – Caminhada na selva e focagem de jacarés

O programa começou com um despertar as 5:45h e fomos todos até um lago para apreciar o nascer do sol. Não tivemos a sorte de belas imagens, mas por outro lado recebemos um presente das águas, com vários botos nadando relativamente perto da lancha, inclusive o boto cor-de-rosa. Ver os botos foi relativamente fácil, o difícil foi ter uma boa foto. Retornamos para o hotel para um delicioso café da manhã e em seguida partimos para uma caminhada na selva. Um passeio muito interessante, pois os guias nos mostraram muitas plantas com poderes medicinais. Como exemplo: Cipó d’água (fornece água), Paracanaúba (quinino para malária), Amapá (xarope para bronquite), Cânfora (creme para lesões), Capim Santo (anti-séptico), Babaçu (possui um verme “comestível” em seu interior rico em proteínas), Itaúba (madeira para barcos), Cipó Ambé (cigarro da selva) e muitas outras.

Retornamos para almoço no hotel e após botar os pés no restaurante despencou uma típica tromba d’água. Após a chuva o tempo refrescou e por volta das 15:30h saímos para visitar uma casa de farinha. Local onde se prepara a farinha de mandioca, que juntamente com o peixe é o alimento básico do caboclo e sua família. No retorno ao hotel tivemos outro lindo final de tarde onde os reflexos da mata e troncos secos formavam um maravilhoso espelho d’água. Após o jantar tivemos uma programação noturna: focagem de jacaré. Com todos na lancha e uma poderosa lanterna, saímos procurando por pares de olhos cintilantes nas margens do rio.

Após algumas tentativas o Renato e o Pepe conseguiram pegar um jacaré de cerca de 1 metro e meio e com muito cuidado sua boca foi amarrada para que pudéssemos pegá-lo na mão para as tão sonhadas fotos. Uma mostra que na Amazônia vale a lei do mais forte foi o fato de nosso exemplar não ter uma das patas traseiras que fora provavelmente devorada por piranhas.

3º dia – A vida de um seringueiro

Acordamos às 5h na expectativa de ver o sol nascer, mas infelizmente não fomos atendidos em nossos desejos, pois o dia amanheceu com muitas nuvens. De qualquer forma o programa foi bastante proveitoso, pois ficamos cerca de uma hora na lancha com o motor desligado flutuando no meio do lago no mais profundo silêncio, apreciando o vai e vem das aves. Retornamos para o café e em seguida partimos para visitar a casa do Sr. José Maia, um seringueiro que ainda vive da extração e preparo do látex de forma tradicional. Após sua extração, o látex é “defumado” num processo todo artesanal e então aplicado diretamente sobre formas de sapato em madeira.

Após a aplicação de várias camadas, é feito um corte na parte superior da forma, a mesma é retirada e os sapatos estão prontos para uso. Conseguimos retornar ao hotel minutos antes da chuva e enquanto esperávamos o tempo melhorar fizemos um longo e prazeroso almoço. Já com o tempo estável e mais fresco fomos para a famosa pescaria de piranha de final de tarde. No início estava difícil de achar o local ideal e nossos amigos mexicanos ainda não estavam dominando a técnica. Mas quando achamos o local ideal, ficou fácil. Até uma traíra foi fisgada e causou o maior agito no barco, pois todos se assustaram com o grito da Iliana ao ver que havia pescado seu primeiro peixe. Retornamos ao hotel e obviamente antes do jantar foi servido caldo de piranha de entrada.

4º dia – Retorno à Manaus

Acordei às 6h na última tentativa de um belo nascer do sol, mas a época realmente não favorecia. Tomamos o café, nos despedimos do pessoal e tivemos dificuldades de tirar o Joel do barco, que insistia em nos acompanhar. Às 9h partimos em direção a Manaus e o retorno não deixou de ser um bom programa, pois paramos num dos mercados flutuantes para comprar bebidas e conhecer mais um pouco da população local e seus costumes. Aproveitamos a oportunidade e passamos novamente pelo encontro das águas. Já na estrada até a vila do Careiro pedi para parar numa fazenda próxima da estrada para fotografar as incríveis vitórias-régias, que se amontoavam num pequeno lago ainda não cheio o suficiente para comportar todas.

Dicas

  • A Amazônia pode ser visitado o ano todo, porém, a escolha da época fundamental para determinar o que será visto.
  • De janeiro a junho é época das chuvas, sendo que junho é o pico do volume de água nos rios. Nesta época o calor é menor, os rios estão mais cheios, porém, há menos pássaros e o barco é praticamente o único meio de transporte.
  • De julho a dezembro os rios estão mais baixos, há muitas praias, a temperatura é bem mais alta, o tucunaré é a grande atração da pesca esportiva e entre setembro e outubro é possível avistar muitos pássaros.
  • Não esqueça de levar roupas leves, repelente de insetos, protetor solar e boné. Também é recomendado pelo ministério da saúde tomar vacina contra febre amarela pelo menos 10 dias antes da viagem.

Esta viagem começou por Manaus, passou por aqui, Silves e Presidente Figueiredo.

Serviços

Juma Lodge

Leia os 4 Comentarios sobre esta viagem

juma disse:
18/06/2009

ola adorei essa materia…adivinha por que???me chamo juma!!!bjuusssss

beatriz cascais disse:
10/07/2009

Adorei sua materia, assim como vc ja tive o previlegio de conhecer o juma, ja trabalhei la, definitivamente é td de bom aquele lugar

juliana disse:
14/03/2010

Nossa…..essa materis foi ótima.
esse lugar é impressionante mesmo eu ja tive o prazer de morar lá, assim como toda a minha familia mora lá, e posso dizer que realmente é um lugar LINDO.

Juma disse:
18/11/2010

Oi, eu moro no juma este lugar é lindo.
Sou assentada no PAE NOVO JARDIM.
Eu faço alguns produto artesanais como sabonetes, cremes, perfumes e outos produtos com com essencias da região.

JUMA.

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