EcoFotos | Viaje pelo mundo da fotografia

[BA] Chapada Diamantina 2006

Esta viagem foi parte de minhas férias de Outubro 2006 e foi um enorme prazer poder retornar à Chapada Diamantina após 11 anos. Maior ainda foi minha alegria ao saber que muito pouco mudou nesses anos e o que mudou foi para melhor. Hoje há mais pousadas, melhores hotéis e um aeroporto que facilita o acesso – não sendo mais necessário descer em Salvador e vir de ônibus até Lençóis.

:::

Confira a galeria de fotos dessa viagem

Como minha pendência na Chapada era conhecer o vale do Paty, foi justamente essa a programação que escolhi para fazer com a Terra Expedições, empresa pioneira nesse roteiro. Trata-se um trekking longo de vários dias cortando o parque nacional desde o vale do Capão até Andaraí. Também faz parte do trekking a visita a alguns cartões postais da Chapada como a cachoeira da fumaça, poço encantado, poço azul e morro do pai Inácio.

O parque nacional da Chapada Diamantina é recente – foi criado em 1985 com a intenção de proteger a região da lavoura, criação de gado e principalmente do garimpo, que provocou grandes transformações. A área do parque é de 1.520 km2 e está localizado na serra do Sincorá. A altitude média está entre 800 e 1000 m com alguns picos de 1.700m.

A vegetação basicamente é composta por florestas de planície, campos rupestres e caatinga com presença de bromélias e orquídeas que podem ser facilmente vistas nas caminhadas pelo parque. A fauna mais comum é composta por tamanduá bandeira, tatu canastra, porco espinho, gato selvagem, capivara e cobras. Além da beleza descomunal de suas formações rochosas, como pai Inácio, morrão, três irmãos, as cidades que margeiam o parque são um show a parte.

Com arquitetura peculiar é impossível não imaginar o grande movimento que tiveram no auge do garimpo na região e toda a história que carregam. Lençóis, a principal cidade, foi fundada em 1845 como vila por garimpeiros. As outras principais cidades que cercam o parque são Mucugê, Andaraí, Igatú, Palmeiras e Rio de Contas.

Dia 1 – Chegada a Mucugê

Como decidi ir de carro desde São Paulo, após 1.700 km rodados cheguei a Mucugê numa tarde de domingo. Enquanto aguardava as coordenadas da Terra expedições, aproveitei para conhecer e fotografar a pacata cidade. No fim do dia fui até o Vale do Capão onde conheci o grupo e guia Zóio com quem iria passar semana seguinte.

Fui confortavelmente instalado na Pousada do Capão e ali seria a despedida do conforto das áreas urbanas: banho quente e energia elétrica. Pois, nos 5 dias seguintes nossas instalações seriam casas de famílias no maravilhoso vale do Paty.

Dia 2 – Vale do Capão até Casa do Sr. Wilson

Minha expectativa de grandes fotos nessa viagem foi frustrada já no primeiro dia, que amanheceu chovendo. Fomos de Toyota até o início da trilha e lá aguardamos por mais de uma hora até a chuva parar. Na primeira estiagem partimos pela trilha do bomba acompanhados por uma neblina baixa que praticamente encobria toda paisagem. Na passagem pelo gerais do Vieira e do Rio Preto tentei imaginar tudo o que o Zóio nos falava e não conseguíamos ver J

No final tarde começamos a avistar a casa do Sr. Wilson simplesmente perdida no meio do vale. A Paisagem parecia encantadora pois a neblina nos permitia ver boa parte das enormes paredes que delimitavam o vale. Pouco antes de escurecer chegamos e após um alongamento fomos conhecer as instalações.

Como em toda casa de caboclo o jantar é servido bem cedo e dorme-se cedo também. Mesmo batendo um longo papo após o jantar todos estavam dormindo antes das 21h J

Dia 3 – Morro do Castelo

O café foi servido às 7:30h. Frutas e pão quentinho feito na hora estavam divinos. Como companhia tivemos vários pássaros que vinham se fartar com as frutas servidas pela Dª Maria. Em seguida partimos para a programação do dia que seria conhecer o morro do castelo onde há uma gruta. O plano original seria dormir lá, porém, devido ao mau tempo optou-se por dormir novamente no Sr. Wilson.

A subida até a gruta é bem íngreme mas a vista que se tem de lá vale o sacrifício. Após cruzá-la é possível ver o vale do funil todinho. Vale esse que no dia seguinte iríamos cruzá-lo. Nessa hora o tempo melhorou um pouco e fomos agraciados com uma bela vista. No meio da tarde retornamos e fomos almoçar na casa de Dª Léa.

Já no final do dia retornamos para o Sr. Wilson onde o banho e outro delicioso jantar nos aguardava. Nessa noite todos se juntaram na cozinha e batemos um longo papo com eles. Fiquei surpreso com o número de pessoas que já passaram por ali. Inclusive o livro de visitas inaugurado em outubro/2005 já está bem cheio, incluindo muitas visitas internacionais.

Dia 4 – Trekking até casa do Sr. Massu

Após o delicioso e reforçado café da manhã iniciamos a caminhada do dia que tinha como destino a casa do Sr. Massu. O tempo já estava um pouco melhor, porém ainda sentia muita falta do céu azul para enriquecer as fotos. Logo no início passamos pela escola do vale. Incrível saber que o professor caminha entre 4 e 5 horas para chegar na segunda-feira e passa ali toda a semana retornando para a vila apenas na sexta. O próximo ponto de parada foi a prefeitura. Sim, dentro da área do parque há uma casa onde funcionava um posto da prefeitura. Como o dia estava começando a esquentar vimos algumas cobras pelo caminho que saiam de suas tocas para se aquecer no sol. Dentre elas uma coral verdadeira. Um dos pontos alto do dia foi tomar banho numa cachoeira perdida na mata, que praticamente ninguém visita. Esse foi um truques na manga do Zóio J

Ao final da tarde chegamos na casa do Sr. Massu. Mais uma vez o ritual se repetiu: alongamento, reconhecimento das instalações, banho (antes que o corpo esfriasse muito), jantar e cama cedo.

Dia 5 – Cachoeiras do funil

Após outro bom café, partimos já com um dia prometendo sol para conhecer a belíssimas cachoeiras do funil. Cruzamos novamente o rio cachoeirão, passando pela casa de Sr. Eduardo. Após cruzar várias vezes o rio pelas enormes e escorregadias pedras chegamos ao final do vale e a expressão de êxtase estava em todos os rostos. Incrível poder estar num lugar tão maravilhoso com tantas cachoeiras juntas. Devido ao vento, em algumas a água era empurrada para cima causando um efeito surpreendente. Aproveitamos para tomar um banho no lago e fazer o lanche do dia. Realmente o tempo colaborou e tive boa luz para fotos.

Retornamos ao fim da tarde e nos dirigimos para a casa de Da. Lídia. Como o dia seguinte seria bem longo nessa noite batemos o recorde e todos estavam dormindo antes das 20h.

Dia 6 – Andaraí e Igatú

Como precisaríamos chegar cedo em Andaraí para evitar o filas na visita ao poço encantado, acordamos às 3:15h, tomamos café e saímos ainda com lanternas às 4:20h. Uma garoa nos acompanhava novamente e logo após o amanhecer estávamos num dos pontos onde teríamos outra chance de uma bela vista do vale. Mas infelizmente o tempo não colaborou e só avistamos a nossa já companheira neblina.

Esse foi um dos dias mais pesados, pois caminhamos 18km em cerca de 5 horas. Chegamos em Andaraí às 9:30h onde a Toyota nos apanhou para irmos ao poço encantado. A visita ao poço é controlada limitando o número de pessoas e o tempo de permanência. Fiquei feliz em saber que isso foi a única coisa que mudou desde minha primeira visita. O poço continua como sempre foi e consegui fazer belas fotos agora com câmera digital.

Na seqüência fomos para uma atração nova que eu desconhecia: o poço azul. Trata-se de uma formação semelhante ao poço encantado, porém como suas águas provêm de um rio ele só tem a coloração azul esverdeada no período da seca. Na cheia, sua água sobe vários metros e torna-se turva. O acesso também é controlado, mas o banho é permitido. Com o uso de snorkel e colete é possível flutuar sobre suas águas e ter a nítida sensação de estar voando – incrível. O almoço foi servido no próprio local.

Ao fim da tarde formos para a charmosa Igatú, vila de Andaraí que foi praticamente construída sobre as pedras. Apesar da pouca luz consegui fotografar as ruínas e a área central da cidade. Nos hospedamos na pousada Pedras de Igatú, onde o conforto da luz elétrica e banho quente já dava saudades em alguns membros do grupo.

Dia 7 – Morro do Pai Inácio e Lençóis

Após o café da manhã nos juntamos a outro grupo que também estava na mesma pousada e fomos de micro ônibus para um dos cartões postais mais famosos da Chapada: o morro do Pai Inácio. Outra surpresa saber que tudo estava como antes. De lá, é possível avistar belas formações da Chapada e ter uma idéia de sua dimensão. Para mim é um lugar mágico.

Para a maior parte do grupo era hora de almoçar e dirigir-se ao aeroporto para encerrar o pacote. Eu ainda tinha uma tarde e uma noite para fotografar Lençóis. Para não perder tempo enquanto o restaurante preparava o almoço saí fotografando a praça central. Foi uma ótima idéia, pois em pouco tempo começou a chover.

À tarde fui fotografar o rio Serrano, que corta a cidade e ao cair da noite fui contemplado com uma luz sensacional para registrar as belezas peculiaridades dessa acolhedora cidade.

Bem, mais uma vez parti da Chapada com o plano já feito de retornar uma terceira vez, pois quero ver tudo o que a neblina me encobriu no vale do Paty. Só espero que dessa vez não demore tanto J

—–
Serviços

Terra Chapada Expedições
Lençóis – BA
(75) 3334-1428
terra@terrachapada.com.br

Pousada do Capão
Vale do Capão – Palmeiras – BA
(75) 3344-1034 – fax 75-3344-1167
pousada@pousadadocapao.com.br

Pousada Pedras de Igatú
Rua São Sebastião, s/n
Igatú – Andaraí – BA
(75) 3335-2281
pedras.igatu@igatu.com.br

Hotel Portal Lençóis
Rua Chácara Grota s/n
(75) 3334-1233
Lençóis – BA
portal@portalhoteis.tur.br

Participe! Comente aqui