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Patagonia

Sem dúvida, a Patagônia está entre os lugares mais lindos deste mundo. Situada ao sul da Argentina e Chile, é cercada de belezas e contrastes. Montanhas geladas ao lado de desertos, fauna e flora totalmente característica, enfim, um lugar razoavelmente próximo do Brasil e imperdível para quem gosta de natureza e um pouco de aventura. O Chile pela sua localização geográfica possui um relevo e clima muito variados, tendo 6000 km de comprimento e uma largura que varia de 90 a 400 km, das quais a maior parte está tomada pelos Andes. Nas próximas linhas e imagens, vou tentar reproduzir minha experiência adquirida em uma viagem de 20 dias para a Patagônia e Deserto de Atacama.

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Confira a galeria de fotos dessa viagem

Esta viagem foi feita através da agência Freeway e ocorreu entre fevereiro e março de 1997, aliás, uma dica para os aventureiros: os meses indicados para esta viagem são de dezembro a fevereiro. Fora desta época, o frio é muito intenso, e durante o inverno, os parques e acessos estão fechados devido ao acúmulo de neve. O grupo era formado por 10 pessoas, sendo 9 turistas e o guia. Dos turistas, sete eram mulheres e um fato admirável, dentre elas estava a Letícia, uma pessoa com uma energia incrível, que curtiu toda a viagem, mal aparentando os seus 70 anos!

São Paulo – Santiago – Punta Arenas – Puerto Natales

A viagem foi aérea de São Paulo a Punta Arenas, com escala e pernoite em Santiago. Em Punta Arenas, pegamos uma pickup e uma Van, dois guias chilenos muito legais e um casal de espanhóis que também fariam a viagem com o grupo. De Punta Arenas, fomos a Puerto Natales (+/- 3 h), nosso ponto de partida para os passeios. Neste trajeto, notei algo interessante. A estrada que liga estes pontos tem uma pista alfaltada e a outra de chão batido, que é utilizada durante o período de neve, onde todos procuram dirigir sobre o chão batido para evitar deslizamento.

Em Puerto Natales, nos instalamos em um confortável hotel e começamos as aventuras. No dia seguinte, um passeio de barco (21 de Mayo) em direção aos glaciares Balmaceda e Serrano, e visita a uma “loberia” (grupo de lobos marinhos). Neste passeio já começamos a sentir o frio que nos esperaria por toda a viagem. O vento na Patagônia por si só já é algo incrível, num barco em movimento e próximo das geleiras então se agrava mais ainda.

Torres del Paine

No dia seguinte fomos ao parque nacional Torres Del Paine e tivemos a primeira noite em acampamento próximo às Torres Del Paine. No parque, nos deparamos pela primeira vez com os guanacos, um parente próximo das lhamas. Durante a noite, apesar do frio, estava confortável graças à barraca Ferrino e ao meu saco de dormir para -5oC. Na manhã seguinte, fizemos uma longa e cansativa caminhada à base das Torres escalando as morenas (enormes pedras de granito que rolam morro abaixo). Apesar da linda vista durante a caminhada, o destino foi frustrante, mal víamos as montanhas devido ao espesso nevoeiro. Aliás, muitas das paisagens ficaram apenas em nossa imaginação através dos postais nas cidades, pois nevoeiros próximos das montanhas são muitos freqüentes. Um novo dia surge e novas aventuras nos esperam.

Hoje, o destino é o refúgio Grey. Refúgios são como albergues e estão espalhados por todo o parque. O primeiro trecho do percurso seria percorrido de barco, porém o vento impossibilitou o passeio (como eu já disse, o vento é muito forte) e fizemos um pequeno trecho inicial com os carros e a maior parte caminhando. Para os que conhecem a região, caminhamos da administração do parque até o refúgio Grey, passando pelo refúgio Pehoe. Sem dúvida, foi uma caminhada e tanto e bastante cansativa. Para agravar um pouco mais a situação, neste trecho tive um problema no joelho e manquei uma boa parte da trilha. Chegamos ao Grey por volta das 23:30h (a vantagem é que escurece por volta das 22 h) simplesmente exaustos, e até fomos recebidos como heróis com direito a champagne e tudo mais.

Glaciares Grey e Perito Moreno

No dia seguinte, pudemos contemplar a bela vista do glaciar Grey e suas paredes enormes de gelo que atingem 60 m de altura. Realmente uma vista surpreendente. Retornando a Puerto Natales, partimos para uma longa viagem cruzando a fronteira da Argentina em direção ao mais lindo glaciar da região, o Perito Moreno. Este enorme glaciar, cujas paredes atingem 80 m de altura é o único que está aumentando de comprimento, pois os demais se retraem ano após ano.

Os glaciares são formados pela neve que se acumula na base das montanhas e levam milhares de anos para serem formados. As cores do gelo se alternam do branco (mais recente) para o azulado e esverdeado (mais antigo). Quando os blocos de gelo se desprendem e caem na água, produzem um enorme estrondo que ecoa entre as montanhas, semelhante a um tiro de canhão. Realmente é uma visão maravilhosa.

El Chalten

Saindo desta região, atravessamos a estepe patagônica em direção ao Cerro Torre e Cerro Fitz Roy. Nesta viagem há coisas muito interessantes entre elas a visão desolada de um deserto e seus contrastes. Numa planície sem fim, com uma vegetação rasteira monocolorida mostrando de vez em quando um bando de guanacos e nhandus (parentes das emas) e as mais variadas formações de nuvens delineando os Andes ao longe. Foram horas e horas dirigindo nesta paisagem e sempre avistando o cerro Torre e Fitz Roy, mas somente ao cair da noite é que chegamos a El Chalten, ponto de partida para os dois cerros.

Cerro Torre

Após uma boa noite de sono e costumeiro café da manhã bem servido, saímos em direção ao cerro Torre. Nesta etapa entraríamos em uma aventura de três dias e noites sem banho, ou para os amantes da boa higiene, banhos todos os dias com água à +/- 3oC, eu preferi a primeira opção. Neste ponto, tivemos o que qualquer trekker chamaria de extrema mordomia. Preparamos a mochila de ataque apenas com o necessário para a caminhada, e os demais materiais, como saco de dormir, banquinhos, mesinhas, barracas, etc., foram no lombo de cavalos. A trilha foi muito boa, porém, como era de se esperar a vista do cerro Torre foi decepcionante, o velho amigo e companheiro nevoeiro cobriu tudo! Voltando desta trilha, tomamos uma nova direção e rumamos para o acampamento Poincenot para no dia seguinte chegarmos próximo à base do Fitz Roy. Porém, nesta trilha tivemos um pequeno teste de resistência a intempéries sob condições precárias.

Chegamos ao acampamento algumas horas antes dos cavalos sob vento e uma chuva gelada e fina. Tivemos de esperar longas horas, amontoados uns aos outros até que nossas barracas e sacos de dormir chegassem. Uma salvação nesta tarde foi um alpinista alemão que nos forneceu um delicioso, saboroso e principalmente quente chá preto (eu odeio chá preto).

Fitz Roy e El Calafate

Após uma terrível, chuvosa e fria noite, fomos presenteados com uma linda e ensolarada manhã na qual pudemos ter uma das mais lindas vistas do passeio: o Fitz Roy ensolarado e com suas névoas mutantes que a cada minuto tomavam uma forma a seu redor. Após esta pequena aventura fomos para El Calafate, uma charmosa cidadezinha Argentina e então fomos novamente presenteados com um superconfortável hotel (Pousada dos Alamos) no qual a maior atração era o banho. Afinal, não é sempre que se toma um delicioso banho quente na Patagônia. Como comentário, a média de cada banho foi de 1 hora. Um lembrete aos futuros viajantes: nunca façam ligações neste hotel para o Brasil, pois eles cobram a fortuna de US$7/min, e eu falei 9 min antes de saber o preço!

Um dos lugares imperdíveis de Calafate, para quem gosta de aves é a laguna Nime, onde é possível avistar um número enorme delas, como patos selvagens e flamingos. Um ponto interessante para os amantes do consumismo é a diversidade e qualidade de souvenir. Outra dica para os viajantes é que os vídeos vendidos em Calafate são PAL-N, não compatíveis com PAL-M ou o NTSC, sistemas utilizados no Brasil.

Pinguineira Otway

Para encerrar a viagem à Patagônia no caminho de volta à Punta Arenas de onde pegaríamos o avião para Santiago, passamos pela pingüineira de Otway. Além dos pingüins, pudemos avistar o Zorro, uma pequena raposa, amigável à primeira vista. Um fator decepcionante foi o pequeno número de pingüins, porém o que surpreendeu foi a proximidade com que se podia vê-los. Praticamente tocá-los, o que é altamente proibido, pois estamos invadindo seu habitat natural.

Leia os 2 Comentarios sobre esta viagem

Helena disse:
04/07/2012

Boa noite, estou de férias com minha família e estamos pretendendo ir de são paulo à Argentina de carro, mas estamos com muito medo, gostaria de que vcs falassem algo para nos deixar aliviados, estamos indo com as crianças e não sabemos como nos portar diante dos problemas que aparecerem com a policia de lá. Quanto ao carro é novo e só falta o cambão que não consigo achar em lugar nenhum.Se puderem me dar uma dica de onde comprar e para atravessar foz para Argentina por gentileza poderia me informar qual o melhor caminho, afinal não tenho nem mapa pronto para prosseguir.Ah! me dê dicas de pousadas ou hoteis que vcs ficaram… por favor me ajude. Aguardo contato.

ecofotos disse:
05/07/2012

Oi Helena
Bem, não sei exatamente que lugar está querendo ir. Se for até a Patagônia se prepare para uma longa viagem. Não saberia lhe indicar o caminho, pois eu fui apenas até Buenos Aires. Neste link http://ecofotos.com.br/argentina-de-foz-do-iguacu-a-buenos-aires-de-carro/ voce terá toda informação que precisa e dicas do que levar e como proceder com os guardas, mas sempre irão pedir algo que não tenha para cobrar propina. Não esqueça da tal carta verde, que é feito pela sua seguradora. O carro tem que estar em seu nome (não pode ser alienado). As estradas são boas, não há tantos postos dependendo da região, portanto mantenha sempre o tanque cheio.
No mais é um país maravilhoso pra quem gosta de viajar de carro.
Abs e boas férias

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