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[SP] Safári Fotográfico no PETAR

O que você vem a seguir é uma narrativa do primeiro Safári Fotográfico realizado pela Techimage ao PETAR de 04 a 13 de Março de 2000. Foram dez dias de puro contato com a natureza e obviamente com a fotografia. O objetivo deste safari é reunir pessoas com interesse pela fotografia e natureza unindo-os num roteiro com visuais magníficos da mata atlântica praticamente intocada nas reservas do PETAR.

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Confira a galeria de fotos dessa viagem


Devido aos atropelos de última hora na liberação do pacote , não houve tempo hábil para sua divulgação e acabamos indo em três pessoas: eu, o Bruno (organizador) e a Takako, já conhecida nossa de outras viagens. Para nos assessorar no trajeto foram contratados dois mateiros da região: o Jair e o Gastão (nos acompanhando nos primeiros 5 dias) e dois animais para o transporte da carga e alimentos.

O roteiro resumido

Primeira etapa: Saímos de São Paulo de carro até Guapiara, cidade ao norte do parque, levando todos equipamentos e os alimentos para os 10 dias. Lá, encontramos o Israel que nos levou com o carro até o ponto de encontro com os mateiros e os animais. A partir daí fomos caminhando, por 5 dias, até o núcleo Caboclos. Local onde o Israel já havia deixado o carro.

Segunda etapa: Uma vez no núcleo Caboclos passamos dois dias descansando e fotografando a região, partindo em seguida para a segunda etapa que seria caminhar até o município de Iporanga, onde o Jair já teria deixado o carro a nossa espera.

Dia 1 – Sábado – 4/03/00 – São Paulo – Guapiara – Buenos

Saímos de São Paulo às 6:30h e pegamos um trânsito horrível de sábado de carnaval na Castelo. Após cerca de 4h chegamos a Guapiara e procuramos pelo Israel Looze, que seria nosso motorista até o ponto de encontro com os mateiros. Fizemos algumas últimas compras na cidade e partimos para a mata. Lá chegando, conhecemos o Jair, o Gastão e os animais, que tanto nos ajudariam nos próximos dias.

Separamos a comida, nossas roupas e equipamentos para os próximos 5 dias e partimos mata adentro. O restante do material e comida ficaram no carro que seria levado pelo Israel até o núcleo Caboclos, nosso ponto de encontro depois de 5 dias. A trilha estava um pouco difícil, pois tinha sido aberta no dia anterior pelos próprios mateiros.

Ainda antes de entardecer chegamos a Buenos, um antigo vilarejo onde há cerca de 10 anos vivia uma pequena comunidade. O local hoje, está completamente abandonado e apenas uma casa de pau-a-pique que parou de pé nos serviu de abrigo para aquela noite. Tivemos que dar uma geral na casa e acabamos expulsando um morador interino: uma cobra de cerca de 1,5m.

Como o Bruno não resistiu a apenas tirá-la, acabou sendo picado depois de muitas brincadeiras com ela. Obviamente já sabia que ela não era venenosa.
Após algum tempo já estávamos acostumados com a casa e não tivemos grandes dificuldades em preparar o jantar e dormir cedo. Tivemos muita sorte de não ter chovido, pois do saco de dormir se via as estrelas através do telhado.

Dia 2 – Domingo – 05/03/00 – Buenos – Areado

Acordamos com um dia nublado e após um bom café, carregamos os burros e partimos para Areado. Aliás, a partir deste dia toda manhã tínhamos um compromisso que era assistir e tentar fotografar, o Jair carregando os animais, pois um deles insistia em esperar ter toda a carga em cima para sair dando coices e derrubando tudo.

Durante todo o dia passamos por situações bem difíceis nas trilhas, com muita subida e descida, travessias de riachos e em alguns pontos a trilha estava bastante fechada, necessitando ser reaberta com facões.
A boa notícia ao fim do dia foi que a casa para o acampamento desta noite era um pouco melhor do que a do dia anterior e o único hóspede era uma aranha. Que preferiu partir ao ver seu lar ser invadido.
A mesma rotina se repetiu, descarregando os animais, tomando um bom banho de rio, preparando o jantar e dormindo cedo.

Dia 3 – Segunda – 06/03/00 – Areado – Gruta Timimina

Após uma noite tensa, pois trovejou a noite toda, acordamos com muita preguiça e ainda com chuva. Enquanto tomamos café, o tempo limpou e saímos rumo a caverna Timimina. Este sem dúvida foi o dia mais difícil, andamos bastante e ainda por cima tivemos dois pequenos incidentes: o 1o foi quando os animais tropeçaram na trilha e caíram morro abaixo derrubando a carga no chão e quase se machucando. O 2o foi o Gastão que errou a trilha nos fazendo andar algumas horas a mais além de ter que abrir a trilha no facão. Como não havia como passar com os animais, o restante da trilha teve que ser percorrido com a carga nas costas do Jair e do Gastão.

Ao final da tarde chegamos à boca da caverna e como o rio estava bem cheio tivemos uma certa dificuldade para atravessá-lo. Nossa noite na caverna foi um caso a parte nesta viagem, pois eu me sentia como um típico homem pré-histórico cozinhando e acampando em abrigo sob pedra próximo a boca da gruta.

Como o rio estava bem cheio e ainda parecia chover em sua cabeceira, o Bruno achou prudente montarmos vigília para ver ser o nível do rio não subiria durante a noite. Fincamos então um graveto marcando a altura da água e mantivemos uma pessoa por vez acordada vigiando o nível. Isto durou até cerca de 1h da manhã e como o rio estava baixando abandonamos a vigília e todos dormimos.

Dia 4 – Terça – 07/03/00 – Timimina – Caboclos

Acordei com o corpo um pouco dolorido de dormir sobre a areia sem isolante, mas disposto para mais um dia de aventura. Tomamos o café e saímos para conhecer a gruta da Timimina enquanto os mateiros conduziam a carga até onde os animais passaram a noite. Porém, foi nesta visita a caverna que me aconteceu um imprevisto. Ao entrar num trecho do rio não vi que não dava pé e submergi por frações de segundo.

O que já foi suficiente para molhar meu equipamento fotográfico que estava na pochete. O Bruno foi bem rápido e me puxou evitando danos maiores. Abri a câmara, salvei o filme e fomos para a outra saída da caverna apreciar o visual. Aliás, um vale maravilhoso que segundo o Bruno foi visto por pouquíssimas pessoas, pois só é possível vê-lo atravessando a Timimina. Cerca de 11h partimos em direção a Caboclos por uma trilha difícil e muito escorregadia.

Nunca suei tanto em minha vida, pois o dia estava muito abafado e a mata fechada ajudava a esquentar mais ainda. Chegamos em Caboclos no final da terça de carnaval e a maioria das pessoas já haviam partido. Por sorte, ficamos com uma das casas do alojamento e pelos próximos dias teríamos um local mais confortável para nossa estadia. Fizemos um delicioso jantar, saboreado em mesa com cadeiras e alguns pequenos confortos proporcionados pela casa, como um banho de chuveiro frio.

Dia 5 – Quarta 08/03/00 – Caboclos (I)

Após cerca de 10 h de sono acordamos com um lindo dia de sol e após um caprichado café da manhã decidimos colocar todo o equipamento para tomar sol. Incrível como todas as lentes e câmaras suavam ao sabor daquele revigorante sol matinal. O resto da manhã foi de preguiça e de curtição do sossego do local.
Após o almoço, nos dedicamos a macro fotografia explorando os arredores da casa e começamos a coletar insetos para experiências em macro com o tubo de extensão. Foi uma diversão total.
À noite um jantar bem ligth: sopão e cama bem cedo.

Dia 6 – Quinta – 09/03/00 – Caboclos (II)

Hoje foi outro dia bem light. Acordamos às 7:30h, tomamos um café preguiçoso e saímos a caminhar pela estrada principal do parque coletando as mais diversas imagens tais como trilhas e ruínas de uma mina de cal. Chegamos até uma pedreira com um belo cânion, infelizmente condenado a ser destruído pela própria.
Conseguimos altas fotos de flagrante de insetos como borboletas, grilos, e formigas de correição (nômades). Foi sem dúvida um belo dia com muitas imagens inesquecíveis.

Dia 7 – Sexta – 10/03/00 – Vespas

Enfim, após um bom período de conforto tivemos que deixar o núcleo Caboclos e partir para mais algumas noites de acampamento selvagem. O dia não começou muito bem, pois logo pela manhã o Jair chegou com uma notícia que nos deixou preocupados, segundo ele, o carro apresentou problemas e aparentemente estava com a embreagem queimada. Ou seja, estaríamos em maus lençóis se não tivéssemos como retornar para São Paulo na segunda-feira.

Após um dia de trilha e boas fotos chegamos ao local do acampamento: uma pequena área, próxima de um rochedo, limpa pelos mateiros onde esprememos as barracas e nossos pertences. A parte mais cômica do dia foi a tentativa por cerca de 40 min para acender um fogo com lenha verde e molhada. Quando o fogo já estava dando sinal de vida sentimos o acampamento ser invadido por vespas, nos obrigando a jogar água no fogo para evitar maiores problemas.

Dia 8 – Sábado – 11/03/00 – Cachoeira Sete Reis

Diferindo dos demais, este dia prometia bastante aventura pois estava no programa além da costumeira caminhada, um canyoning na cachoeira Água Sumida. Após deixar o acampamento andamos por pouco tempo na trilha e já chegamos ao rio Espírito Santo. Daí em diante praticamente todo o percurso foi dentro ou cruzando o rio.

Por volta do meio dia chegamos a cachoeira Água Sumida onde estava programado um canyoning, mas devido ao alto volume do rio mudamos de idéia para outra cachoeira próxima. Passamos um bom tempo neste local curtindo o visual e a tranqüilidade que tínhamos ali. Eu e o Bruno descemos algumas vezes a cachoeira enquanto a Takako registrava as imagens. Ao fim do dia fomos para a boca da Casa de Pedra, um dos melhores lugares para acampamento de toda a expedição.

Dia 9 – Domingo – 12/03/00 – Casa de Pedra

Como disse, esse foi um dos lugares mais bonitos que acampamos. Na beira do rio, com um visual incrível da boca da Casa de Pedra. Após um típico café na beira do rio, fomos até a boca fazer algumas fotos e conhecer as redondezas. Experimentamos algumas trilhas próximas e fizemos belas fotos dos palmitos e árvores tombadas pelo caminho. Ao cair da noite fizemos um série de fotos das barracas com flash (acima).

Dia 10 – Segunda – 13/03/00 – Casa de Pedra – Iporanga

Nos despedimos do local com nosso último café e nos desfizemos do excesso de carga doando muita coisa para os mateiros. Hoje pela primeira vez nosso grupo iria se dividir, pois eu e o Bruno cruzaríamos a Casa de Pedra enquanto a Takako e os mateiros iriam por terra, contornando a caverna. Embora eu já conhecesse a caverna, foi uma aventura a parte, pois o Bruno puxou bastante o ritmo e consegui fazer fotos interessantes durante o trecho onde é necessário nadar.

Após cerca de duas horas saímos do outro lado da caverna e após uma boa caminhada, por estrada, chegamos ao ponto de encontro, onde o pessoal nos aguardava. Nos despedimos dos mateiros, fizemos a fatídica foto do final (acima) pegamos um ônibus local e fomos até Iporanga ver o estado que estaria nosso veículo de volta. Após uma inspeção detectamos que o problema não era embreagem e embora só fosse possível engatar 3ª e 4ª o Bruno conseguiu nos trazer até São Paulo, dentro dos limites de segurança.

Resumo

Como sempre digo ao término de mais uma viagem, esta foi mais uma das que recomendo e felizmente deu tudo certo e foi tudo muito bom. Aproveitei cada momento aprendendo muito na convivência com gente muito simples como é o caso do Jair.

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