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[SP/MG] Volta do Paraíba

Esta viagem aconteceu entre 26/12/07 e 03/01/08 e foi organizada pelo Mazinho da Tribo do Pedal Selvagem.

O grupo inicial era composto por: Mazinho, Marcelo, Fabrício, Anderson & Manoela, Adilson e Zé Fevereiro. Nosso objetivo era pedalar mais 500 km por 8 dias pelo vale do Paraíba passando pelas seguintes cidades: Taubaté, Campos do Jordão, Delfim Moreira, Passa Quatro, Lavrinhas, Areias, Campos Novos e Cunha – retornando novamente para Taubaté.

Os carros foram deixados em Taubaté numa propriedade do Gonga, organizador do Bigbiker e de lá partimos para essa incrível aventura sem contar com carro de apoio. Todos, exceto a Manoela, estavam com alforjes e os peso extra variava de 7 a 14 kg, pois a idéia foi tentar ir o mais leve possível.

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Confira a galeria de fotos dessa viagem

Dia 1 – Taubaté – Campos do Jordão

Chegamos a Taubaté por volta das 10h e fomos recebidos pelo Gonga que nos cedeu um excelente local para deixar os carros. Todos prepararam e carregaram as bikes, camelbak, etc. e partimos às 11h em direção a Campos. O trecho inicial foi bem estressante, pois andamos pela Dutra até tomar a estrada para Campos. Nesse dia todo nosso percurso seria por asfalto.

Após a última parada no pão de queijo, ainda no planalto, começamos a dura e longa subida dos 20 km da serra. O dia estava maravilhoso e o sol já mostrava como seriam nossos próximos dias. Após uma série de paradas, inclusive na ponte de onde se tem uma bela visão do vale, chegamos no Hotel Recanto Miniférico.

Alongamentos, descarga da bike, banho tranqüilo e vamos para o Capivari procurar um local “bebemorar” o primeiro dia. Aliás, isso passou a ser um ritual nos dias que se seguiram.

Dia 2 – Campos do Jordão – Delfim Moreira

Como parte do ritual dos próximos dias, acordamos 6:30h, café tranqüilo e partida por volta das 8:30h. Agora já tínhamos um grande diferencial: começaram as estradas de terra e juntamente com elas os trechos de barro. Alguns com bastante dificuldade para quem não estava a fim de se sujar.

Neste trecho encontramos outro grupo que estava indo direto para Passa Quatro seguindo planilha do Mazinho. O trajeto do dia foi praticamente o mesmo que fizemos no crazy trip de 2004, porém com a vantagem do dia estar excelente, sem a chuva daquele fatídico dia. Depois de muito sobe e desce, no meio da tarde, chegamos ao posto, onde um bom lanche matou a fome do grupo. Na seqüência seguimos para Delfim pela estrada de asfalto chegando ao final da tarde na pousada Sola da Mantiqueira. A cerveja da noite foi no bar do Boi e novamente cama cedo para agüentar o dia seguinte.

Dia 3 – Delfim Moreira – Passa Quatro

Partimos novamente por volta da 9h e a atração do dia foi a aposta entre o Fabrício e Anderson para descobrir quantos kg ele estava carregando no alforje. Conseguiram uma farmácia que permitisse pesar a bike e até hoje estamos esperando o chopp Brahma do Anderson J

A parada para almoço foi em Marmelópolis, no simpático restaurante Monte Moriá. O grande problema de parar para almoçar é a retomada. Com barriga cheia, pernas frias e sol quente fica bem difícil encarar as subidas. No meio da tarde tivemos uma corrente quebrada do Fabrício e para quebrar a monotonia uma chuva passageira. No final do dia pegamos um belo downhill para chegar no Recanto dos Pinheiros, pousada onde passaríamos os próximos dois dias.

Nossa hospedagem foi numa casa ao lado da pousada com acomodação para todo o grupo, inclusive o Luis que viria no dia seguinte passar o final de semana conosco. A noite foi bastante comemorada e rolou muita risada com cerveja.

Dia 4 – Passeio em Passa Quatro

Bem, esse dia que deveria ser de pedal light foi bastante agitado e quase não sobrou tempo para descanso. Após o café partimos para a cidade, beirando o trilho do trem e depois de passar no caixa eletrônico, conhecer a loja Harpia, comprar água, etc, partimos para o pedal que consistia em subir a estrada que leva a Serra Fina até um pesqueiro.

Após muita subida, mas muita subida mesmo, cruzamos o rio e descemos do outro lado até Itanhandú, tendo pelo caminho, alguns pneus furados. O almoço foi um pouco conturbado por divergência de opiniões, mas, uma vez acertado voltamos para Passa Quatro seguindo o trilho do trem. Eu fui visitar alguns amigos na cidade e o grupo retornou para aproveitar algumas horas na piscina da pousada.

A atração da noite foi o jantar na esfirraria Monte Líbano do Chico que fica no bairro do Pinheirinho. E a grande maioria do grupo foi de bike, inclusive eu.

Dia 5 – Passa Quatro – Lavrinhas

Nesse dia o Mazinho, que não estava se sentindo muito bem, decidiu retornar para Sampa e foi para Lavrinhas com o carro do Luis enquanto o grupo desceu a serra seguindo os trilhos. Um dos pontos altos foi a travessia do túnel (Passa Quatro x Cruzeiro) e o incrível downhill na seqüência.

Uma vez no asfalto paramos para almoçar num café (péssima idéia). O Marcelo teve problema com o freio hidráulico de sua bike e até o momento não havia uma solução. O dia estava muito quente e como já estávamos no vale novamente o calor estava insuportável. Para piorar o dia seria de pedal no asfalto.

Chegamos à pousada Recanto dos Pampas por volta da 15h e o Mazinho já nos aguardava com uma provável solução para o freio do Marcelo. Após várias tentativas conseguiu sangrar o freio e acredite, bloquear a perda de fluído com um palito de dentes. Passamos o resto do dia tentando se refrescar entre piscina e cerveja. A noite foi bem difícil devido ao calor.

Dia 6 – Lavrinhas – Areias

Bem, hoje se iniciaria uma nova fase do nosso passeio, pois o Fabrício, Luis e Mazinho partiram na tarde anterior e eu passaria acumular a função de guia do grupo. Pois era o único com o mapa do caminho no GPS. Deu para sentir na pele como é seguir um tracklog por um caminho desconhecido. Por algumas vezes é difícil distinguir qual estradinha seguir quando há mais de uma e estejam próximas. Após alguns pequenos erros deu para pegar o jeito. A partida foi bem cedo, pois o dia prometia muito calor e por caminhos desconhecidos. Após cruzarmos a Dutra pegamos um trecho muito bonito, porém com subidas fortes.

O almoço foi em Silveiras e lá tomamos a decisão de realmente subir a serra da Bocaina, pois originalmente ela não estava no roteiro. De Silveiras a Areias seguimos pela estrada dos Tropeiros e o calor refletido pelo asfalto estava de matar. A chegada em Areias foi comemorada com muita cerveja após o merecido banho. Apesar de o dia seguinte prometer muita canseira, tivemos que aguardar as comemorações, pois era noite de reveillon. Para ajudar nossa pousada estava justamente em frente a banda que tocou até o dia raiar. J

Dia 7 – Areias – Campos Novos

Apesar da noite mal dormida devido a banda. Acordamos às 5:15h, café na padoca às 6h e dá-lhe pedal até São José do Barreiro ainda pela estrada dos Tropeiros. Lá, fizemos um outro café mais reforçado e começamos a subir a longa e íngrime serra da Bocaina. Para infelicidade nas fotos e felicidade no corpo a serra estava um pouco fechada e não estava tão quente. Com um desnível acumulado de 1200 m, foram necessárias várias paradas para vencer os 23 km da serra. Um pouco antes de chegar na portaria do parque pegamos a estrada sentido Fazenda Pinheirinho e onde eu achava que seria mais plano, más muitas subidas e descidas apareceram. No meio da tarde, todo mundo cansado e com fome tivemos duas surpresas:

  1. Me entusiasmei demais numa descida e meu bagageiro quebrou, me forçando a colocar mais 7 kg nas costas.
  2. Momentos mais tarde caiu uma tremenda chuva de granizo. Mal deu tempo de por o anorak e o mundo desabou. As mãos e pernas doíam com as pancadas de gelo. A chuva não durou muito, mas depois quase ninguém conseguia subir ou descer devido ao barro e sujeira nos freios e correntes.

Alguma horas e tombos depois chegamos na pousada Joaninha, onde meu amigo Paulinho nos providenciou um almoço às 17h e mangueira para lavar as correntes. O moral do grupo levantou e descartamos a hipótese de dormir por ali seguindo os 25 km restantes até Campos de Cunha.

Bikes limpas, estomago cheio, camelbak abastecidos, seguimos para Macacos chegando em Campos de Cunha às 20:50h. Ainda abalados pelo cansaço o grupo decidiu que o dia seguinte seria de descanso.

Próximas atividades: banho, jantar e cama.

Dia 8 – Campos Novos – Cunha

Quase todos, exceto o Zé, acordaram mais tarde e num clima de preguiça tomamos café e demos um trato nas bikes e roupas. Como não havia muito que fazer na cidade sugeri que fossemos até Cunha, pois o percurso do dia seguinte seria de 115 km. Todos toparam e após o almoço fizemos os 30 km até lá. Como o trecho é asfalto e com algumas subidas longas deu um certo desânimo. A noite foi comemorada com mais cerveja e pizza.

Dia 9 – Cunha – Taubaté

Apesar de termos reduzido os 30 km no dia anterior o dia ainda seria bem longo, mais de 90 km e então partimos bem cedo. A primeira parada para lanche foi em Lagoinha e o caminho até lá é muito bonito com uma estradinha de terra simpática e sem grandes subidas.

Fizemos um lanche mais demorado lá e decidimos mudar o caminho to GPS para evitar muitas subidas. Vantagem de um lado, problemas de outro, pois o trajeto escolhido tinha mais asfalto. Mas uma das grandes atrações foi a parada na Cachoeira Grande, cujo banho valeu a subida de volta. Daí pra frente praticamente todo o caminho foi asfalto e após São Luis Paraitinga a única opção foi a rodovia Taubaté – Ubatuba, que estava com um grande movimento. Fizemos várias paradas para hidratação e alimentação nos postos da estrada, pois o calor ainda estava bravo. Um motivo de estresse era ter que atravessar a rodovia a cada trecho de subida, pois devido a terceira faixa não há acostamento.

Bem, apesar de todos os problemas chegamos em Taubaté por volta das 16h e o Gonga nos recepcionou muito bem novamente com água e banho. Fechamos a viagem com a tradicional foto do grupo e um merecido jantar numa churrascaria em Sampa.

O aprendizado dessa viagem foi que apesar dos 588 km (pelo cateye do Anderson) parecerem muito em um primeiro momento, basta dividi-lo em pedaços menores: dias. A cada dia 90 km parecem muito. Mas basta dividi-los em pedaços menores: manhã e tarde. E assim sucessivamente. Quando uma subida é muito longa e forte, basta colocar uma marcha leve e se distrair com a paisagem, os pássaros, os sons, a conversa com os amigos que tudo fica mais simples e prazeroso.

O grande diferencial dessa viagem foi a convivência entre amigos superando dificuldades, cansaço, mas se divertindo muito. O alto astral do grupo foi decisivo para que todos curtissem o que para muitas pessoas pode parecer um martírio.

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Confira o audiovisual dessa viagem


Serviços

Organização: Mazinho – Tribo do Pedal Selvagem
Apoio (guarda dos veículos em Taubaté) – Gonga – Bigbiker

Leia os Comentarios sobre esta viagem

Enedina Martins disse:
21/07/2009

Olá Adilson! Que legal você me responder! Já olhei o endereço que você falou de Marmelópolis, lindo muito lindo, pena que vocês não pararam pra conhecer as cachoeiras maravilhosas que tem por lá, mas sei que não faltará oportunidade. Só observando o restaurante Monte Moriá é do meu irmão, Jair, ele também é fotógrafo e apaixonado pela arte de fotografar, não sei se você teve tempo de conversar com ele, mas ele tem cada foto linda! cada coisa que ele fotografa com olhos que só quem é apaixonado pela arte consegue ver, se um dia voltares por lá peça a ele pra lhe mostrar. Pois é, eu sou de lá, aquela casa do lado do restaurante é minha, onde mora minha mãe, e eu estou aqui pelo norte Porto Velho/Rondônia, gosto muito daqui, mas amo aquela terra e tenho muita vontade de voltar morar lá, pena que ainda não consegui imaginar alguma coisa pra poder ganhar algum dinheiro por lá, afinal, ainda não posso viver de rendas (rsrsrsrsrs), mas um dia chego lá. Um gde abraço e quem sabe um dia ainda nos encontramos pra fazer uma viagem juntos, o meu marido e eu temos muita vontade de participar de alguma viagem aventureira, é lógico que iremos de Jeep ou Caminhonete, pois de bicicleta nem pensar, ficríamos nos primeiros km, ou melhor no primeiro (rsrsrsrsrsrs), então, fique com Deus e continue com Ele sempre em todos os passos e pedaladas que der pela vida afora, nunca se esqueça que Ele é a nossa força e realização, sem Ele nada podemos. Até.

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