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[SP/RJ] Trilha do Ouro – S.J.do Barreiro

Aproveitando os caminhos indígenas que ligavam a serra ao litoral, por volta de séc.XVII tropeiros vindos de Minas Gerais fizeram destes caminhos suas rotas de comércio. Desciam a serra carregados com o ouro mineiro para ser embarcado nos portos de Mambucaba e Paraty, e subiam com peixe seco, cachaça, farinha e outros mantimentos que eram comercializados no percurso de volta a Minas Gerais.

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Confira a galeria de fotos dessa viagem

Umas das travessias de rio no caminho, com o constante tráfego de tropeiros, transformou-se num grande atoleiro que muito dificultava a passagem das tropas. Em épocas de cheia, as tropas eram obrigadas a aguardar que as águas baixassem para poder transpor o obstáculo cheio de barro. Com o tempo, surgiram ranchos de descanso para os tropeiros, e local passou a ser conhecido como “Barreiro”.

Vindos de Minas Gerais, o Capitão Fortunato Pereira Leite, seus irmãos e cunhado João Ferreira de Souza aqui se estabeleceram e fundaram um arraial nas proximidades do “Barreiro”, nos fins do séc. XVII.
A fertilidade do solo e a proximidade dos portos de Mambucaba e Paraty atraíram muitas pessoas para trabalhar, vindo também muitos parentes e amigos dos fundadores. Abriram-se então, no séc. XVIII, inúmeras fazendas para o plantio de café que logo tornou-se a grande riqueza da região; foi a fase das cartolas e das casacas, dos condes e dos barões do café.

Em 1820 foi erguida no local, uma capela dedicada a São José e, em virtude do local ser conhecido como “Barreiro” e da capela dedicada a São José, o arraial passou a ser chamar São José do Barreiro, sendo elevado a município em 9 de março de 1859. As imponentes fazendas do café e os sobrados e casarões, hoje são marcos da época em que o município ocupou importante lugar na cafeicultura paulista.

Atualmente, São José do Barreiro, com uma área de 566 km2 e 510m de altitude na sede do município, tem uma economia centrada na agricultura (arroz, feijão, milho, mandioca, cana e abóbora) na pecuária leiteira, no gado de corte e no turismo, que a cada ano vem se desenvolvendo a passos largos em virtude de vários atrativos, tanto históricos (antigas fazendas e casarões), que o município oferece.

Parque Nacional da Serra da Bocaina

O parque Nacional da Serra da Bocaina foi criado pelo Decreto no 68.172 de 04 de fevereiro de 1971, e teve seus limites alterados pelo Decreto no 70.694 de 08 de junho de 1972. Localiza-se entre as duas mais populosas capitais do País, a sudeste do Estado de Rio de Janeiro e a noroeste do Estado de São Paulo, abrangendo terras dos municípios de Paraty, Angra dos Reis, São José do Barreiro, Areias, Cunha e Ubatuba, com área de 110 mil hectares. Suas coordenadas geográficas são: latitude 22º40’ – 23º20’S, longitude 44º24’ – 44º54’ WG.

Quanto a paisagem, fauna e flora, sua área está situada na serra do Mar, onde o Planalto da Serra da Bocaina se debruça diretamente sobre o Atlântico. Variação da paisagem natural do Parque vai desde uma enseada com praias arenosas (Praia do Cachaço e Praia do Meio) e uma ilha oceânica (Ilha do Tesouro) na região de Trindade, despenhadeiros, grotões e vales profundos com bordos recortados, atingindo os campos de altitude em cotas superiores a 1800 metros. Há muitos rios, com belíssimas cachoeiras de águas frias e cristalinas. A principal bacia hidrográfica é a do Rio Mambucaba. Nasce no Parque num dos formadores do Rio Paraíba do Sul, o Rio Paraitinga.

A vegetação vai desde as formações costeiras e estuarinas até a floresta tropical pluvial atlântica, com sua incrível biodiversidade, ocupando parte litorânea, encostas e maiores altitudes da serra, em cujo planalto a floresta sede lugar aos campos nativos, entremeados de matas de galeria, onde ocorrem manchas mais ou menos densas de pinheiros-do-Paraná (Araucária angustifolia) e do pinheiro bravo (Podocarpus lambertii). Várias epífitas raras ocorrem na área, em especial nas margens dos rios, tais como as micro-orquídeas dos gêneros Barbosella e Capanemia.

Existe muita madeira-de-lei, como as canelas pardas, pretas e amarelas, o guatambu, o louro, a sucupira, a imbuia, o cerdo, o arabirá, o jequitibá, também merece citação, dentre muitas palmeiras, o palmito (Euterpe edulis), muito ameaçado pelo seu valor econômico.
A diversidade de espécies vegetais e animais decorre da variação de altitudes que ocorrem na área do Parque, desde o nível do mar até os 2088 metros, no Pico do Tira Chapéu, no planalto da Bocaina divisa dos municípios de São José do Barreiro e Areias, no Estado de São Paulo.

A rica fauna da região atlântica está bem representada no Parque, inclusive com diversas espécies ameaçadas de extinção como o mono-carvoeiro, o barbado, o sagüi-da-serra-escuro, a suçuarana, a jaguatirica, o gato-do-mato, a lontra, o tamanduá-bandeira, o macuco, o gavião-de-penacho, o gavião-pega-macaco, o gavião-real, o jacutinga, o papagaio-do-peito-roxo, a tiriba, o sabiá-cica, etc.

O acesso é feito pela Rodovia Presidente Dutra, entrando-se na cidade de Queluz-SP, seguindo-se até Areias e finalmente a São José do Barreiro, num percurso de 35 quilômetros de estrada asfaltada. De São José do Barreiro segue-se pela SP 221, são mais 27 quilômetros até o Parque em estrada de terra com precária conservação e trânsito difícil no período das águas.

Texto: MW Trekking Viagens e Turismo

Meu roteiro

Após alguns anos viajando sozinho e por conta própria, decidi reviver meus bons tempos de viagem em grupo com agências. Para isto escolhi a Freeway, empresa com a qual praticamente me iniciei no mundo das viagens de ecoturismo. Nosso grupo foi composto de 20 pessoas geniais, incluindo o guia freeway e dois guias da MW Trekking, empresa de São José do Barreiro responsável pela logística da trilha.

Dia 1 – 21-22/06/00 – São Paulo – S. J. do Barreiro – Parque

Partimos de São Paulo por volta das 22h em direção a Estância Real em São José do Barreiro. Nessa pousada, apenas dormimos as horas restantes da madrugada, tomamos um ótimo café da manhã e partimos em duas caminhonetes em direção a entrada do Parque. Neste trajeto fizemos várias paradas para descanso, fotos e para apreciar as belas cachoeiras do caminho, incluindo a Santo Izidro, das Posses e das Marrecas. Um dos problemas que tive foi que infelizmente todas as cachoeiras estavam contra a luz e não consegui grandes fotos (isto explica o porquê de uma foto em P&B acima).

Após ingressar no parque, deixamos os carros e finalmente começamos o nosso objetivo: caminhar. Ao final da tarde chegamos ao local de nosso primeiro pernoite – a casa de Da Palmira e do Sr. José Aparecido. Uma casa muito simples, mas suficiente para nosso banho, jantar e uma razoável noite de sono. Um atrativo a parte foi comermos pinhão e contar casos e piadas ao redor da fogueira em uma noite onde a temperatura beirou zero grau. Outra diversão foi acomodar 20 pessoas mais a família pelos pequenos cômodos da casa. Havia gente na sala, corredor e cozinha, inclusive com disputa para quem dormiria próximo do fogão à lenha.

Dia 2 – 23/06/00 – 1ª casa – 2ª casa

Após uma noite muito fria acordamos para um delicioso café com pão feito na hora e ainda quentinho. Neste dia a caminhada já teria um ar de travessia, pois levaríamos conosco apenas a mochila de ataque com lanche, agasalhos, água, etc, enquanto as mochilas cargueiras iriam nas mulas. O dia não apresentou grandes dificuldades, pois a caminhada foi feita através de estradas de terra e algumas trilhas por campo aberto, totalizando oito quilômetros. Por volta do meio dia já estávamos na segunda casa e fomos recebidos com um almoço caipira.

Após a refeição fomos conhecer a tão famosa e bela cachoeira dos veados. O restante da tarde foi para descanso, bate-papo e algumas fotos, no meu caso. Durante a noite fizemos outra fogueira e a Ieda nos preparou um quentão, que foi saboreado durante um nostálgico bate-papo ao redor do fogo.

Dia 3 – 24/06/00 – 2ª casa – São José do Barreiro

Nesse dia é que realmente me senti na trilha do ouro, pois foi nesse trecho que passamos pela mata atlântica com toda sua beleza e é onde também caminhamos sobre o calçamento original feito pelos escravos. Durante o trajeto fizemos diversas paradas para lanche, água e descanso. Já bem próximo do final atravessamos um rio com direito a banho e relaxamento. A caminhada não ofereceu dificuldades e após cerca de 5 a 6 horas chegamos ao final, onde as vans nos esperavam. Após cerca de quinze quilômetros de carro chegamos a praia de Mombucaba, ponto final para os viajantes do passado e lugar de contemplação para nós. De volta a Barreiro e após o banho e jantar conseguimos juntar energias para um baile.

Dia 4 – 25/06/00 – São José do Barreiro – São Paulo

Este dia foi reservado para descanso e visita a alguns pontos turísticos de Barreiro. Dentre eles o cachoeirão e alguns casarões das fazendas da região. Apesar do tempo curto, um dos pontos altos visitados foi a Fazenda Pau D’alho. Uma fazenda histórica totalmente restaurada que foi utilizada como cenário para as filmagens da mini-série da Globo Aquarela do Brasil.

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