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[MG] Pico do Papagaio

O Pico do Papagaio, com 2.091m (medidos com meu GPS), fica no município de Aiuruoca – MG.

Um de seus acessos é pelo vale do Matutu, uma região muito especial onde vive uma comunidade que é parte da Fundação Matutu, que tem uma vida voltada para a natureza com alimentação natural. A estrada de terra que percorre o vale do Matutu passa por várias pousadas, mas é justamente no final desta que se encontra a Hospedaria Patrimônio do Matutu. Um local exuberante e com atrações inusitadas.

Primeiro é que não há acesso de carro nem mesmo de 4×4. Os carros ficam estacionados no Casarão, um ponto de apoio da comunidade, e os 2,5 km até a pousada são feitos caminhando. Para transportar a bagagem e indicar o caminho a hospedaria oferece o Silvio com suas mulas. Basta carregar as malas nas mulas e acompanhá-lo.

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Confira a galeria de fotos dessa viagem

Na hospedaria o clima é super aconchegante e a ausência de energia elétrica aumenta ainda mais o contato entre as pessoas convidando para um bom bate papo na frente da lareira. Ah, não se preocupe, o banho é exelente pois a pousada conta com ótimos chuveiros a gás. Dos quartos se tem a visão da bela cachoeira do fundo, que pode ser visitada numa trilha de cerca de 1 hora.

Dia 1 – Passa Quatro

Após os 4 dias de travessia da Serra Fina fizemos um pedal de 45K em Passa Quatro. O roteiro foi o Power Biker do Sampa Bikers. Através de um bate papo com o Léo da Harpia em Passa Quatro conseguimos a planilha da trilha. Que é praticamente só de subida nos seus 25km inicias. No final é que a coisa fica boa, são mais de 10 km sem o mínimo esforço, só descida. Ao final da tarde voltamos para a pousada Santa Rita.

Dia 2 – Brejo da Lapa

Para termos maior mobilidade contratamos o Carlos, o mesmo motorista que no levou/buscou na Serra Fina, para fazer o apoio à bikes. Partimos então eu, Paulo, Thiago e o Carlos para o Brejo da Lapa (meio do caminho até o P.N. de Itatiaia). Lá, montamos as bikes e rumamos para a Pousada Campos de Altitude.

O caminho é maravilhoso com muita pedra, erosões, subidas e descidas, além de um visual magnífico. Passamos pela Pousada dos Lobos e paramos para lanchar na Fragária, nas marges do rio Aiuruoca. Só chegamos no destino final às 18h após 47 km pedalados. Mal chegamos e já fomos para a sauna. O jantar foi celebrado com um bom vinho chileno.

Dia 3 – vale do Matutu

Partimos cerca de 10h com destino ao vale do Matutu, pela estrada que liga Itamonte à Aiuruoca. Chegamos no Casarão do vale do Matutu às 15:30h com o odometro marcando 52km pedalados. Logo em seguida nosso carro de apoio chegou e arrumamos as coisas que iriam com a mula para o Patrimônio. Para não perdermos o costume fomos pedalando seguindo o Silvio. Aliás, a mula ia tão rápido que o Silvio ia puxando-a pelo rabo para ajudar.

Tomamos um bom banho e em seguida fomos saborear o “chá das 5” que é servido ao cair da noite. Enquanto aguardávamos o jantar nada como um bom bate papo na frente da lareira. Apesar do dia duro que tivemos conseguimos ficar acordados até meia-noite.

Dia 4 – subida ao pico do Papagaio

Após o delicioso café da manhã, arrumamos as mochilas e voltamos com as bikes até o Casarão. Lá o nosso guia Brasil, já nos aguardava para a tão esperada subida ao pico do Papagaio. Arrumamos então as mochilas cargueiras com comida, barraca, bastões, fogareiro e dessa vez uma garrafa de bom vinho tinto. Voltamos de carro até um pesqueiro onde deixamos o carro e iniciamos a caminhada às 12:05h.

A caminhada começa numa área descampada e cerca de uma hora depois atravessa trechos de mata. A subida é bem íngreme mas sem maiores dificuldades. O ponto de água fica cerca de 1hora do pico. Fizemos uma parada para um lanche às 14h e chegamos no pico às 16h e já estava bem frio com um vento fortíssimo.

Montamos acampamento com uma certa dificuldade devido ao vento. Escolhemos um local abrigado pelas pedras para fazer o jantar, embora estivesse um pouco longe das barracas. Preparei uma sopa de entrada e macarrão ao molho de funghi como prato principal. Enquanto o macarrão era preparado o vinho tinto caiu redondo. Para encerrar o jantar um capuccino e chá de marcela, natural. Quem disse que não se pode comer bem acampando? J

Dia 5 – Sol e fotos

Apesar da noite ter sido um pouco agitada devido ao vento nas barracas, todos acordamos bem e um belo dia de sol nos aguardava para curtí-lo. Enquanto preparava o café nossas coisas secavam do sereno com o sol da manhã. Após a sessão de fotos começamos a caminhar por volta das 10h. A volta como sempre é bem mais tranquila e chegamos no carro às 12:30h.

Como todos estavam famintos fomos a sede da comunidade onde a esposa do Brasil nos preparou uma saborosa macarronada. Banho tomado e fome saciada, tomamos nosso rumo final de volta à São Paulo e mais uma vez convictos que o passeio superou todas as expectativas e foi aproveitado em cada minuto.

Dicas

  • O pico do Papagaio pode ser feito num único dia. Não é uma subida muito forte e dá para fazê-lo com certa tranquilidade.
  • O único ponto de água fica cerca de 1h antes do pico, portanto não é preciso levar muito água.
  • A trilha não é bem definida o tempo todo, portanto a presença de uma guia sempre é aconselhada.
  • Não deixe de conhecer um pouco a cultura e costumes da comunidade.

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Serviços

Patrimônio do Matutu
Aiuruoca – MG
(35) 3344-1444
patrimonio@patrimoniodomatutu.com.br

Leia os 4 Comentarios sobre esta viagem

Smaley disse:
27/05/2009

Realmente…
Faço a subida do pico 3 vezes por ano. Realmente fantástico.
Conheço muitos lugares, mas este é especial. Dica importante: Nunca deixe lixo por onde passar. Preserve.

Léo Ripamonti disse:
02/06/2010

Obrigado pelas dicas. Vou para o Vale do Matutu amanhã, coincidentemente. Eu me minha namorada estamos anciosos para conhecer este lugar que muitos dizem ser místico. A subido ao Pico do Papagaio será inevitável, adoramos estes tipos de aventura; silêncio, ar puro e natureza, é com agente mesmo! Para o blogueiro e os que leem este post, deixo dem troca uma caminhada na Serra do Cipó.
Lá, existe uma travessia de 3 dias que leva ao Pico da Bandeirinha, o mais alto da região. O lugar é divino! Cachoeiras, a típica e linda mata de altitude e um silêncio “insurdecedor”, preeenchem a aventura. Fica uma dica. Não se faz esta caminha sem a presença do guia e a apresentação dos documentos na entrada do Parque Estadual da Serra do Cipó. Seguem algumas dicas; de início, uma subida íngreme de umas 2h. Há trechos que exigem fôlego. Não é uma caminhada para iniciates. Ah! o tempo muda muito rápido e não existe muito aguá no caminho, somente de algumas cachoeiras, distantes umas das outras, e que podem servir para pernoitar. Quem encarar, deve levar tudo.
Vale à pena!
Quando voltar do Matutu, escrevo para contar como foi. Obrigado pelas dicas e até a volta.
Algumas fotos no flickr. http://www.flickr.com/photos/leoripa
Léo Ripamonti

boca disse:
26/07/2010

Estive sábado no Pico do Papagaio,utilizando a via pelo vale do Matutu,vale muito a pena conhecer,é um lugar maravilhoso rodeado de muita água,uma mata de montanha incrível além é claro do visual do alto do pico que é simplesmente indescritível,subi e desci no mesmo dia porém vários aventureiros estavam lá para acampar e não perder a belíssima lua cheia da ocasião,essa vez não deu mas já estou arrumando minhas coisinhas e na primeira oportunidade estou indo prá lá,vale a pena!!!!!

Léo Ripamonti disse:
08/09/2010

Voltei! Como disse no post anterior, gostei muito das dicas sobre a caminhada ao Pico do Papagaio. Fui, cheguei ao cume e reitero que vale muito à pena. Uma caminhada mediana, longa e que reserva lindas paisagens durante as quase 3h de subida. Agora, o próximo destino, será a Chapada Diamantina. Aceito sugestões de passeios, hospedagens e dicas de travessias. Até breve. Léo Ripamonti

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